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Espiritismo · a vida no mundo espiritual

Colônias espirituais

Como é o lugar, como o tempo é contado, o que se faz o dia inteiro e por que existem hospitais num plano onde ninguém tem corpo de carne. Fui atrás disso nas obras, questão por questão e página por página, porque quase nada do que se fala sobre colônia espiritual vem do livro: vem de alguém que ouviu de alguém. O que está escrito é mais sóbrio e, para mim, bem mais interessante do que o que circula.

234a questão que descreve o lugar
6ministérios em Nosso Lar
72ministros no conjunto
24 ho dia lá, igual ao nosso

Como ler este estudo

Aqui estão duas camadas diferentes, e misturar as duas é o erro mais comum do assunto. A primeira é a Codificação: o que os Espíritos responderam a Kardec em 1857, que é curto, genérico e vale para todo o planeta. A segunda é o relato: o que André Luiz escreveu pela psicografia de Chico Xavier a partir de 1944, que é longo, detalhado e descreve uma instituição específica, vista por dentro, por um recém-chegado.

Os dois não se contradizem. Mas o primeiro é doutrina e o segundo é testemunho, e testemunho tem endereço. Marquei cada coisa com o selo correspondente.

Fonte conferido na obra, com questão ou página.
Síntese junção feita por mim.
Hipótese conclusão minha, sem confirmação.
Uma nota de vocabulário, logo de saída. A expressão colônia espiritual não é de Kardec. Ela vem da literatura mediúnica brasileira do século XX. Kardec fala de mundos transitórios, de Espíritos errantes e de erraticidade. É o mesmo assunto com outro nome, e o estudo inteiro vive dessa costura.

Antes do nome existir, Kardec já descreveu o lugar

Em O Livro dos Espíritos, no capítulo VI do Livro Segundo, há uma seção curta chamada Mundos transitórios. São quatro questões. Elas passam despercebidas porque ficam no meio de um capítulo grande, mas são a fundação de tudo que veio depois.

Fonte A questão 234 pergunta se há mundos que sirvam de estações ou pontos de repouso aos Espíritos errantes. A resposta é sim: mundos destinados a eles, que podem servir de habitação temporária, comparados no original a bivaques e a campos onde se descansa de uma erraticidade longa demais, que o texto chama de estado sempre um tanto penoso. São posições intermédias, graduadas conforme a natureza dos Espíritos que têm acesso a elas.

Leia essa lista de novo. Habitação temporária. Posição intermédia. Graduada por natureza. Lugar de descanso de uma condição penosa. É a descrição de uma colônia espiritual, escrita em 1857, oitenta e sete anos antes de alguém a visitar e contar.

Fonte A alínea a da mesma questão esclarece que ninguém fica preso ali: quem está nesses mundos pode deixá-los para ir aonde deva ir. A imagem usada é de bandos de aves que pousam numa ilha para refazer as forças e depois seguir o seu destino.

Fonte A questão 235 pergunta se, enquanto ali permanecem, os Espíritos progridem. Sim: vão com o objetivo de se instruir e de obter passagem para lugares melhores.

Fonte A 236 acrescenta um detalhe que quase ninguém cita. Esses mundos não são eternamente destinados a isso, a condição deles é temporária. E, em uma das alíneas, perguntado se a Terra pertencerá um dia a esse número, a resposta é que ela já pertenceu, durante a sua formação.

Síntese Então a colônia não é um lugar fixo no mapa do universo, é uma função que um lugar exerce durante um tempo. A Terra já exerceu essa função. Pode haver mundo que esteja exercendo agora. E, pela lógica do texto, nenhuma colônia é permanente: ela existe enquanto é necessária.

Como é por dentro: a organização de Nosso Lar

Aqui entra a segunda camada. Nosso Lar descreve uma dessas instituições vista de dentro, por quem chegou destroçado e levou anos para entender onde estava. A parte que mais me interessou não foram as paisagens, foi o organograma, porque é nele que se vê o que a colônia faz da manhã à noite.

Fonte Na explicação de Lísias ao recém-chegado, a colônia é apresentada como essencialmente de trabalho e realização e se divide em seis Ministérios, cada um orientado por 12 ministros. É por isso que o governador espiritual aparece cercado de 72 colaboradores: seis vezes doze.

PLANO SUPERIOR União Divina os serviços mais sublimes da colônia 6 Elevação liga a colônia ao que está acima dela 5 acima desta linha, o que sobe · abaixo dela, o que desce Esclarecimento ensino, estudo, formação de quem chega 4 Comunicação o contato com a Terra e com outros núcleos 3 Auxílio socorro, hospitais, assistência a quem sofre 2 Regeneração os serviços mais pesados, colados na crosta 1
A ordem é a do próprio texto: os quatro primeiros aproximam a colônia das esferas terrestres, os dois últimos a ligam ao plano superior. Os serviços mais grosseiros ficam na Regeneração, os mais sublimes na União Divina.

Fonte O texto é explícito quanto ao motivo dessa escada: a cidade espiritual é zona de transição. Ela não é o céu e não é o fim da linha. É um ponto de passagem com serviço pesado embaixo e serviço fino em cima, exatamente como a questão 234 dizia, em outras palavras, quase um século antes.

Fonte E o que se faz ali é listado sem romantismo: atende-se doentes, ouvem-se rogativas, selecionam-se preces, preparam-se reencarnações, organizam-se turmas de socorro aos habitantes do Umbral e aos que choram na Terra, estudam-se soluções para os processos que se prendem ao sofrimento.

Repare no que não está nessa lista. Não há descanso eterno, não há contemplação, não há recompensa. A colônia inteira é um posto de trabalho voltado para baixo: quatro dos seis ministérios existem por causa da Terra e do Umbral.

O tempo

Esta era a minha pergunta principal, e a resposta tem quatro partes que só juntas fazem sentido. A quarta entrou depois de eu publicar a primeira versão: reli o capítulo do bônus-hora com calma e percebi que ele responde a pergunta de forma direta, e que eu tinha passado batido.

1. Não há prazo

Fonte Na questão 224, perguntado o que é a alma no intervalo das encarnações, os Espíritos respondem que é Espírito errante, que aspira a novo destino e que espera. A alínea seguinte pergunta quanto podem durar esses intervalos.

Desde algumas horas até alguns milhares de séculos.

O Livro dos Espíritos, q. 224a

Fonte E o texto continua: não há extremo limite estabelecido para a erraticidade, que pode prolongar-se muitíssimo, mas que nunca é perpétuo. Cedo ou tarde o Espírito volta a uma existência capaz de purificá-lo.

2. A duração é, em boa parte, escolha

Fonte A alínea b da mesma questão pergunta se essa duração depende da vontade do Espírito ou se lhe é imposta como expiação. A resposta separa três casos: é consequência do livre-arbítrio, e os Espíritos sabem perfeitamente o que fazem; para alguns, constitui punição; e outros pedem que ela se prolongue, para continuar estudos que só na condição de Espírito livre rendem.

Fonte A questão 225 fecha o ponto de um jeito que muda a perspectiva inteira: a erraticidade não é sinal de inferioridade, porque há Espíritos errantes de todos os graus. A encarnação é que é o estado transitório.

O Espírito se acha no seu estado normal, quando liberto da matéria.

O Livro dos Espíritos, q. 225

3. No Umbral, não se conta

Fonte Em Nosso Lar há uma frase que vale mais que qualquer explicação teórica sobre percepção temporal. André Luiz acaba de saber que a mãe intercedeu por ele durante anos, e que a permanência dele nas esferas inferiores durou mais de oito anos consecutivos. A reação dele é confessar que ignorava o número de anos que o separavam da Terra.

Ele passou oito anos num lugar e não sabia quantos tinham sido. O tempo continuou passando, foi contado por quem ficou aqui e por quem o socorreu. O que não existiu foi a sensação de duração. Sofrimento intenso achata o relógio.

4. Na colônia, conta-se com rigor, e no relógio da Terra

Esta parte eu tinha subestimado na primeira versão deste estudo, e corrigi depois de voltar ao capítulo do bônus-hora e ler a página inteira. Dentro da colônia o tempo é medido exatamente como aqui, e o texto é literal a respeito.

Fonte A explicação de Laura sobre o trabalho diz que cada um dos que trabalham deve dar no mínimo oito horas de serviço útil, nas 24 de que o dia se constitui. A Governadoria permite ainda quatro horas de esforço extraordinário a quem quiser colaborar de boa vontade, e por isso há muita gente que chega a 72 bônus-hora por semana. Serviços sacrificiais têm remuneração duplicada e às vezes triplicada.

24 ho dia da colônia, igual ao nosso
8 ho mínimo de serviço útil por dia
+4 ho extraordinário que a Governadoria permite
72bônus-hora por semana, de quem faz as doze

Fonte E não é só a medida que é igual: há relógio de parede. Numa reunião de trabalho mediúnico, André Luiz olha o relógio e anota que estavam com quarenta minutos depois da meia-noite. O detalhe decisivo vem na frase seguinte, dita por um companheiro: só agora havia paz na casa de Ricardo, lá na Terra, porque a casa descansava e os pais dormiam.

A hora que o relógio deles marcava era a hora da casa aqui embaixo. Não é coincidência de unidade, é sincronia de serviço. A colônia trabalha no fuso do planeta porque o trabalho dela é com o planeta: boa parte da assistência depende de gente dormindo, de casa em silêncio, de madrugada.
Síntese Então a resposta tem duas metades, e elas não se contradizem. A medida é a mesma: 24 horas no dia, semana, jornada mínima, hora extra, relógio na parede, ano que passou. A vivência é que não é: na colônia, organizada e com serviço marcado, o tempo é sentido como aqui; no Umbral, sem função e sem ninguém por perto, oito anos passaram sem serem percebidos. Não é o tempo que muda de natureza, é a pessoa que muda de condição.

Hipótese E eu não estenderia isso ao universo inteiro. Nosso Lar é colônia desta Terra, descrita como zona de transição ligada a ela. O que o texto mostra é que a colônia acompanha o relógio do seu planeta, não que 24 horas seja medida universal. Kardec, aliás, dá o intervalo entre encarnações em horas e em séculos terrestres, que é o único relógio que ele e os leitores tinham em comum.

E então o tempo vira outra coisa

Fonte Medido igual, o tempo ali cumpre outra função. A propriedade é relativa e as aquisições se fazem à base de horas de trabalho. O nome disso é bônus-hora, descrito como o dinheiro deles, e corrigido logo em seguida pela própria personagem: não é propriamente moeda, é ficha de serviço individual funcionando como valor aquisitivo. As construções em geral são patrimônio comum sob controle da Governadoria; uma família espiritual pode conquistar um lar, nunca mais que um, apresentando trinta mil bônus-hora.

Fonte O mesmo trecho diz o que acontece com quem não trabalha, e é menos cruel do que parece: pão e roupa no estritamente necessário estão garantidos a todo habitante, e os inativos podem permanecer nos campos de repouso ou nos parques de tratamento. Ninguém passa necessidade; o que não se conquista é prerrogativa.

Síntese Aqui a gente troca tempo por dinheiro e depois troca dinheiro por coisa. Lá a etapa do meio some: a hora de serviço é a própria moeda. E é exatamente por isso que o relógio continua na parede. Não é um tempo que passa sem peso, é um tempo que se gasta, e é o único jeito de adquirir o que quer que seja.

Fonte E há um limite declarado para essa moeda. Quando a conversa chega à volta ao corpo físico, a personagem diz que não se podia pagar à Terra com bônus-hora, e sim com o suor honrado. A moeda da colônia não tem curso aqui embaixo.

Os trabalhos

Esta parte tem base doutrinária forte, e não só relato. O Livro dos Espíritos dedica um capítulo inteiro ao assunto, o capítulo X do Livro Segundo, chamado Das ocupações e missões dos Espíritos.

Fonte A questão 558 pergunta se incumbe aos Espíritos outra coisa além de melhorarem-se. A resposta é que concorrem para a harmonia do universo, executando as vontades de Deus, de quem são ministros, e descreve a vida espírita como ocupação contínua, mas sem nada de penoso, porque não há fadiga corporal nem angústia de necessidade.

Fonte A 559 pergunta se também os Espíritos inferiores e imperfeitos têm função útil. A resposta vem em forma de pergunta de obra: para construir um edifício, o último dos serventes de pedreiro não concorre tanto quanto o arquiteto?

Fonte E a 562 pergunta se os Espíritos da ordem mais elevada, que já não têm o que adquirir, ficam em repouso absoluto.

A ociosidade eterna seria um eterno suplício.

O Livro dos Espíritos, q. 562

Ninguém é dispensado do mais atrasado ao mais elevado, todos têm deveres a cumprir.
Ninguém fica parado o repouso absoluto não é prêmio, é a descrição de um suplício.
Ninguém se cansa igual é ocupação contínua, mas sem fadiga corporal e sem aperto de necessidade.

Fonte E o que são essas missões, concretamente? A questão 569 diz que são variadas demais para descrever, mas o comentário de Kardec desce ao chão: algumas são restritas e locais, como assistir os enfermos, os agonizantes, os aflitos, e velar por aqueles de quem o Espírito se fez guia e protetor.

Síntese Guarde essa frase, porque ela é a ponte do estudo inteiro. Assistir os enfermos e os agonizantes já está na Codificação, em 1857, como ocupação regular de Espírito errante. O que André Luiz acrescenta quase noventa anos depois não é a ideia. É a planta baixa: onde isso acontece, com quantos leitos e sob que ministério.

Fonte Vale notar ainda a questão 227, sobre como os Espíritos errantes se instruem: estudam, observam o que ocorre nos lugares aonde vão, ouvem os homens doutos e os conselhos dos Espíritos mais elevados. A colônia é também escola, e no organograma de Nosso Lar isso tem nome e porta: o Ministério do Esclarecimento.

Os hospitais

A pergunta óbvia é: por que um Espírito precisaria de hospital? Se não há corpo de carne, o que adoece?

Fonte A resposta mais clara que encontrei está em Obreiros da Vida Eterna. O raciocínio é que a morte foi apenas uma mudança de residência, e que para cá se traz tanto as indisposições e as doenças quanto as investigações e os processos de curar. A conclusão do trecho é seca: os enfermos e os médicos são ali em maior número. E o motivo vem na frase seguinte, sobre o corpo astral ser organização viva, tão viva quanto o aparelho fisiológico que se usava na carne.

É aqui que este estudo encosta no outro. Se o envoltório é uma organização viva e não uma sombra, ele pode adoecer, e pode ser tratado. Isso está desenvolvido em Corpo astral: roupa, ponte e espelho, e o mecanismo pelo qual o pensamento marca esse envoltório está em Ideoplastia e formas-pensamento.

Fonte Em Nosso Lar isso aparece no concreto. Ao receber assistência, o recém-chegado ouve do assistente uma leitura do seu próprio estado que é clínica, não moral: a zona dos intestinos com lesões e vestígios exatos do câncer, a região do fígado com dilacerações, a dos rins com características de esgotamento prematuro. A doença atravessou a morte inteira e continuou visível no envoltório.

Fonte E a escala é declarada. Numa única seção havia mais de mil doentes espirituais, e o texto faz questão de dizer que aquele era um dos menores edifícios do parque hospitalar da colônia.

Síntese Juntando as três fontes, o hospital espiritual não é metáfora nem é alegoria pedagógica. Ele é a consequência lógica de três afirmações que já estavam postas: o envoltório é vivo, o pensamento imprime nele e assistir enfermos é ocupação de Espírito. Quem aceita as três não precisa de nada novo para aceitar o hospital.
O que me parou aqui. A leitura do assistente não acusa ninguém. Ele lê o fígado como quem lê um exame, e a única pergunta que faz é se o paciente entende o que aquilo significa. Não há sermão. Num lugar onde o corpo mostra por fora o que a pessoa fez por dentro, o julgamento fica desnecessário: já está tudo à vista. Isso me desarmou mais do que qualquer descrição de castigo.

O que eu não consegui confirmar

Esta seção existe em todo estudo meu, e aqui ela é especialmente necessária, porque o assunto atrai certeza barata.

E o aviso mais importante não é meu. No prefácio de Nosso Lar, Emmanuel reconhece que aquele livro não é único, que outras entidades já comentaram as condições da vida além-túmulo, e pede uma coisa só do leitor.
Todo leitor precisa analisar o que lê.

Emmanuel, prefácio de Nosso Lar

Quem escreveu o livro avisou, na primeira página, para não tratá-lo como mapa oficial do outro mundo. É um relato pessoal, honesto, de alguém que viu um pedaço. Esse aviso é parte da obra, não é ressalva de cético.

O que isso muda para quem está aqui

Eu poderia fechar com paisagem. Prefiro fechar com o que sobra depois de desligar o projetor.

Não é destino, é estação habitação temporária, posição intermédia, lugar de refazer forças. Ninguém mora lá para sempre, e o texto de 1857 já dizia isso.
Não é férias, é turno colônia de trabalho e realização, ocupação contínua, ociosidade descrita como suplício. O que muda não é a existência do trabalho, é a ausência de fadiga e de aperto.
A saúde viaja junto o que o corpo astral carrega não fica no túmulo. É por isso que existem hospitais, e é por isso que cuidar de si aqui não é vaidade.
O relógio continua o dia tem 24 horas, a jornada tem mínimo e tem extra, e a hora de serviço é a própria moeda. A diferença é que lá ninguém disfarça a transação com um intermediário.
O que eu tiro disso, em uma frase. O prefácio diz que a maior surpresa da morte é ficar face a face com a própria consciência. Se isso é verdade, então a colônia espiritual não é um lugar que a gente vai conhecer: é um lugar que a gente vai estar construindo o tempo todo, aqui, com as horas que gasta. Não há nada em nenhuma dessas fontes que sugira outra coisa. E, honestamente, essa é a parte do assunto que me obriga a mudar alguma coisa hoje.

Treino

Catorze perguntas para ver se ficou. A resposta está escondida; tente responder antes de abrir.

Qual é a expressão que Kardec usa, já que colônia espiritual não é dele?
Mundos transitórios, no capítulo VI do Livro Segundo de O Livro dos Espíritos. Também fala de Espíritos errantes e de erraticidade.
Que imagem a questão 234 usa para esses mundos?
Bivaques e campos de descanso, e, na alínea a, bandos de aves que pousam numa ilha para refazer as forças antes de seguir.
A Terra já foi um mundo transitório?
Sim, segundo a questão 236: durante a sua formação.
Quantos ministérios tem Nosso Lar, e por que o governador aparece com 72 colaboradores?
Seis ministérios, com 12 ministros cada. Seis vezes doze dá setenta e dois.
Quais são os seis, e qual fica mais perto da Terra?
Regeneração, Auxílio, Comunicação, Esclarecimento, Elevação e União Divina. Os serviços mais grosseiros ficam na Regeneração, os mais sublimes na União Divina.
Quanto pode durar o intervalo entre duas encarnações?
De algumas horas a alguns milhares de séculos, sem limite fixo, mas nunca perpétuo. Questão 224a.
Essa duração é imposta ou escolhida?
As duas coisas, e mais uma terceira: é consequência do livre-arbítrio, para alguns é punição, e há quem peça para prolongar a fim de estudar. Questão 224b.
Quantas horas tem o dia na colônia, e qual é a jornada?
O dia tem 24 horas, igual ao nosso. Quem trabalha deve dar no mínimo oito horas de serviço útil, com mais quatro permitidas de esforço extraordinário. Quem faz as doze chega a 72 bônus-hora por semana.
O que prova que o relógio da colônia acompanha o da Terra?
A cena do relógio de parede marcando 00h40 numa reunião de trabalho: a hora importava porque era a hora em que a casa de Ricardo, na Terra, dormia. É sincronia de serviço, não coincidência de unidade.
Se o tempo é medido igual, por que ele não sentiu os oito anos?
Porque os oito anos foram no Umbral, não na colônia. A medida não mudou; mudou a condição de quem estava passando por ela. Sem função e sem companhia, a duração não é percebida.
O que é o bônus-hora?
A moeda da colônia, corrigida no próprio texto para ficha de serviço individual com valor aquisitivo. Uma família pode conquistar um lar, nunca mais que um, com trinta mil bônus-hora.
E quem não trabalha, passa necessidade?
Não. Pão e roupa no estritamente necessário são garantidos a todo habitante, e os inativos ficam nos campos de repouso ou nos parques de tratamento. O que não se conquista é prerrogativa, não é o básico.
Por que existem hospitais se ninguém tem corpo de carne?
Porque o corpo astral é organização viva e carrega as doenças junto. A morte foi mudança de residência, não troca de pessoa.
Onde a Codificação já falava de assistir enfermos e agonizantes?
No comentário à questão 569, entre as missões dos Espíritos errantes. Ou seja, a ideia é de 1857; o detalhamento hospitalar é que veio depois.

Para continuar

Fontes

As páginas citadas são as da edição digital consultada e variam conforme a edição; questão, capítulo e item, não. As obras de André Luiz são relato mediúnico e não têm o estatuto doutrinário da Codificação, coisa que o próprio prefácio de Nosso Lar faz questão de lembrar. Isto é estudo pessoal.

Nada encontrado neste estudo com esse termo.