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Autoconhecimento, relato pessoal

O primeiro dia

6 de agosto de 2024. Eu cheguei achando que ia tomar um passe. Saí matriculado num curso de três anos que virou a minha vida do avesso. Este é o estudo número um deste site, porque é onde tudo o que está aqui começou.

6 ago 2024o dia em que entrei
1º anoCurso de Educação Mediúnica
0do que eu sabia da Doutrina
1prima que insistiu

Eu achei que era um passe

É verdade e não tem outro jeito de contar. A F., minha prima, vinha falando de um curso havia um tempo. Eu ouvia sem prestar muita atenção, do jeito que a gente ouve as coisas que ainda não são da nossa conta.

Quando enfim fui, fui achando que era outra coisa. Imaginei que passaria lá, tomaria um passe e iria embora. Não fazia a menor ideia de que estava entrando num curso de três anos, com programa, com leitura, com seminário para apresentar, com frequência mínima.

Cheguei perdido. Sem saber onde sentar, sem entender o vocabulário, sem conhecer ninguém, sem a menor noção do que era aquilo. E, olhando de hoje, esse é exatamente o jeito certo de chegar: sem plano, sem defesa e sem opinião formada.

Quem eu era quando entrei

Preciso ser honesto sobre o ponto de partida, senão o resto não faz sentido.

E ainda assim tinha um fio. Olhando para trás, a minha vida e as minhas poucas crenças já cruzavam com aquilo em vários pontos. Coisas em que eu acreditava sem saber de onde vinham, intuições sobre justiça, sobre consequência, sobre não estar sozinho. Eu não tinha nome para nada disso. O curso não me instalou uma crença nova: ele me deu o nome do que eu já carregava.

O grupo

A primeira surpresa não foi doutrinária, foi humana. Encontrei um grupo maravilhoso, de pessoas incríveis. Gente de origens completamente diferentes, com histórias que eu jamais imaginaria, sentadas na mesma sala às sete e meia da noite de uma quinta-feira, por vontade própria, para estudar.

Não havia disputa, não havia julgamento sobre quem sabia mais, não havia ninguém tentando provar nada a ninguém. Para quem chegava perdido, isso fez toda a diferença. Ninguém me fez sentir burro por não saber. E quem já passou por qualquer ambiente de aprendizado sabe o quanto isso é raro.

Mel

A Mel, monitora da turma, teve um papel importante na minha chegada e no meu desenvolvimento.

Monitor de curso pode fazer o mínimo: seguir o programa, marcar presença, distribuir os temas dos seminários e encerrar no horário. Ela fez muito além. Percebeu quem estava perdido, acompanhou, corrigiu com cuidado, cobrou quando precisava cobrar e abriu porta quando dava para abrir.

A desconstrução e o despertar, ao mesmo tempo

Esta é a parte mais difícil de explicar para quem não passou por isso. As duas coisas aconteceram juntas, e não em sequência.

De um lado, uma desconstrução de quem eu era. Certezas que eu carregava sem examinar começaram a ficar sem chão. O jeito de olhar para dificuldade, para injustiça, para morte, para as pessoas que me irritavam: tudo isso teve que ser revisto, e rever é desconfortável.

Do outro lado, um despertar. À medida que uma coisa caía, outra aparecia no lugar, e a que aparecia fazia mais sentido do que a que tinha caído. Não é que eu tenha perdido chão. É que o chão foi trocado enquanto eu estava em pé nele.

O que mudou de fato no primeiro ano

Uma coisa foi puxando a outra

Em algum momento do caminho ela sugeriu que eu fizesse cursos de vida em alta performance, fora do ambiente espírita. Foi uma sugestão simples, dita de passagem, e ela disparou as possibilidades.

Porque é aí que a coisa se junta. Uma linha vinha me ensinando por que viver, e a outra veio ensinando como organizar a vida para conseguir. Sozinhas, as duas ficam capengas: propósito sem método vira intenção, e método sem propósito vira produtividade vazia. Juntas, funcionam.

É exatamente esse cruzamento que explica este site. Aqui convivem Espiritismo, Evangelho e Bíblia com imóveis, saúde, tecnologia, marketing e autoconhecimento, e não é bagunça. É a mesma pessoa estudando a vida inteira em todas as frentes, porque descobriu que elas não são separadas.

O que eu diria para quem está chegando perdido

Eu entrei achando que era um passe de vinte minutos. Já vai para o terceiro ano, tem um site inteiro publicado como resultado, e a única coisa que eu mudaria é ter chegado antes.

Nota sobre este texto

Escrito algum tempo depois, olhando para trás. O dia de entrada foi 6 de agosto de 2024, no Curso de Educação Mediúnica do I.B.A.C.E.M.A., Casa da Volta do Campo.

Gratidão à F., que falou do curso até eu ir, e à Mel, que me recebeu perdido e não me deixou desistir.

Nada encontrado neste relato com esse termo.