De onde vem este material
Trabalho de quinto ano de Mel, com o título Drogadição e os benefícios da dinâmica de atendimento espiritual da Apometria, apresentado na Casa da Volta do Campo, IBACEMA, em 5 de junho de 2025. Orientação de F. R. C. e supervisão de M. A. D. B..
Reproduzo o raciocínio dela com fidelidade, porque está muito bem montado. O que é meu vai marcado em caixas azuis identificadas como comentário.
Considerações iniciais
A palavra drogadição, usada para designar dependência química, deriva do termo latino addictus, que significa escravo por dívidas.
O uso abusivo de substâncias como álcool, cigarro, crack, cocaína e outras drogas é um problema de saúde pública, de grande preocupação de todas as nações do mundo, por afetar não só a saúde mental e orgânica dos adictos, como também destruir famílias inteiras, repercutindo, inclusive, nas gerações futuras.
O objetivo do trabalho é analisar as implicações espirituais da drogadição nos encarnados e desencarnados, principalmente a influenciação de espíritos desencarnados por meio da sintonia, que torna ainda mais difícil que o adicto largue o vício, e revelar os benefícios da dinamização do atendimento espiritual pela Apometria para todos os envolvidos.
Vale demorar um segundo nessa etimologia, porque ela é mais precisa do que parece. No direito romano, o addictus era o devedor que, não conseguindo pagar, era entregue ao credor. Deixava de dispor de si mesmo por causa de uma dívida.
Ou seja: a palavra que hoje traduzimos como dependência já dizia, dois mil anos atrás, exatamente o que a Doutrina afirma sobre o assunto. Não se trata de fraqueza de caráter, se trata de alguém que deixou de ser dono de si. E o vocabulário da dívida encaixa direto na lei de causa e efeito: existe uma conta aberta, e ela cobra.
O que é vício, e por que alguns se viciam
Vício é o uso, consumo ou ação exagerada de algo, de forma repetitiva. Vale para sexo, jogos, comida. Funcionam no sistema de recompensa cerebral, que faz o usuário buscar repetidamente a sensação de prazer.
Os indomáveis impulsos dos toxicômanos apontam para condições determinantes preexistentes à própria origem deles. Numa mesma família, embora a herança genética seja semelhante e todos sejam criados no mesmo meio, existe discrepância de personalidade e também herança de vulnerabilidade às drogas, com alterações no DNA que os estudos científicos demonstram.
André Luiz, em Entre a Terra e o Céu, esclarece que, no fluxo das reencarnações, nós sempre herdamos de nós mesmos, já que a hereditariedade é dirigida por princípios de natureza espiritual:
“O alcoólatra não adquire o hábito desregrado dos pais, mas sim, quase sempre, ele mesmo já se confiava ao vício do álcool, antes de renascer.”
André Luiz, Entre a Terra e o Céu
Logo, é possível afirmar que as alterações do DNA são marcas espirituais, e que há predisposição tanto genética quanto espiritual ao vício.
O vício, a doença, é do Espírito.
Esta é a frase central do trabalho inteiro, e ela resolve uma pergunta que atormenta muita família: por que dois irmãos, criados igual, na mesma casa, com a mesma genética, tomam caminhos opostos?
Sem reencarnação a resposta fica devendo. Com ela, a herança deixa de ser só dos pais e passa a ser de si mesmo, do que o Espírito trouxe. Isso muda inteiramente o lugar da culpa: os pais param de ser réus e o dependente para de ser um caso de má formação. Passa a ser alguém carregando uma tendência antiga, que agora tem a chance de vencer.
É irresistível? Existe determinismo?
Kardec, em O Livro dos Espíritos, esclarece que há um arrastamento, uma atração fortíssima, mas que ela pode ser resistida. Depende da vontade do indivíduo, e vencer o vício significa uma vitória do Espírito sobre a matéria.
A exceção é a possessão, em que a vontade pode ser paralisada pelo espírito possuidor. Possessão é o domínio total de um espírito desencarnado sobre um encarnado. O exemplo bíblico é o caso do lunático, em Marcos 9:14-29.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, questões 645, 911 e 474
O equilíbrio dessa afirmação é delicado, e ela está certa
Existem dois erros comuns aqui, e o trabalho escapa dos dois.
O primeiro erro é dizer que basta querer. Quem diz isso nunca conviveu com dependência, e essa frase já empurrou muita gente de volta para a recaída, porque transforma cada queda em prova de que a pessoa não presta.
O segundo erro é dizer que não há saída, que o vício é maior que a pessoa. Isso remove a responsabilidade e, junto com ela, a esperança.
A Doutrina fica no meio, e o meio é o lugar correto: a vontade é indispensável e ela pode ser fortalecida. Não é ligar ou desligar uma chave, é uma força que cresce com amparo, com tratamento, com prece, com convivência boa e com tempo. Quem entende isso não cobra milagre nem entrega os pontos.
Sintonia e obsessão
Todo e qualquer vício pode atrair obsessão. Sim. Estamos sempre sendo influenciados por espíritos, e atraímos aqueles que estão na mesma sintonia que nós.
Sintonia é a identidade vibratória das emissões mentais de dois ou mais espíritos, encarnados ou desencarnados. Pessoas que consomem álcool e drogas compartilham da companhia de espíritos que têm o mesmo fim. Os desencarnados conseguem usufruir das drogas e do álcool por meio do encarnado, e acaba se criando uma relação de dependência entre os dois, que pode configurar simbiose, parasitismo ou até vampirismo.
“Não raro o viciado sofre a atuação de entidades espirituais que, sintonizadas através dos pensamentos, incentivam a manutenção do vício, dificultando os esforços de recuperação.”
Joanna de Ângelis
Em Consciência, Luiz Sérgio conjectura que o toxicômano encarnado sustenta o vício próprio e o de mais ou menos dez outros viciados desencarnados. Fica fácil entender por que o dependente quer cada vez mais: ele está sob a influência dessas presenças.
Há ainda relatos, em Memórias de um Toxicômano, de facções que dominam o tráfico no astral e que ensinam e obrigam outros desencarnados a aliciar encarnados, principalmente jovens, a iniciar o consumo e depois a mantê-lo crescente.
Essa última frase é a mais importante da seção e explica por que desobsessão sozinha não cura ninguém. Afastar o obsessor sem mudar a sintonia é enxugar gelo: a vaga fica aberta e alguém ocupa.
É o mesmo mecanismo que eu estudei em Frequência e Vibração e em Sentimentos, aplicado ao caso mais dramático possível. O que protege não é o afastamento, é a mudança de faixa. E mudança de faixa é trabalho lento de rotina, companhia, ocupação e reforma íntima.
As consequências no perispírito (corpo astral)
O efeito destruidor das drogas é tão intenso que extrapola os limites do organismo físico, alcançando e comprometendo o equilíbrio e a saúde do corpo perispiritual. Causam tantas lesões no corpo físico que abreviam o tempo de vida, e por isso os dependentes são considerados suicidas indiretos.
De acordo com a lei de causa e efeito, na próxima reencarnação a pessoa poderá ser portadora de sequelas orgânicas. André Luiz, em Ação e Reação, refere que os viciados
“retornam à carne em veículos físicos com lesões nos diversos órgãos e sistemas: deficiência mental, lesões congênitas no trato gastrointestinal, aparelho circulatório e no sistema nervoso central.”
Segundo o autor, são lutas expiatórias angustiosas, mas necessárias para o reequilíbrio de almas adoecidas no vício.
Quanto tempo sofre o adicto desencarnado
Kardec responde: a duração e a natureza dos sofrimentos dependem do tempo que ele gaste em melhorar-se, e isso depende sempre da vontade do Espírito.
Com o tempo, e conforme o livre-arbítrio, ele pode tomar duas atitudes: arrepender-se, querendo mudar e melhorar de vida, ou revoltar-se ainda mais. Às vezes a dor reconduz o homem ao caminho do bem, funcionando como sinalizador das desarmonias provocadas.
Tratamento e recuperação
A causa do vício é a droga? É o álcool? É o excesso deles? Não. Isso tudo é consequência.
A causa está no psiquismo: frustração, culpa, ressentimento, desilusão, geralmente uma fuga da realidade. Mesmo com a desintoxicação orgânica do corpo físico, a pessoa poderia procurar outra bengala.
Logo, a recuperação e a cura passam pelo tratamento do psiquismo, ou seja, pela reforma íntima, e pelo pensamento. E sendo o pensamento atributo do Espírito, conclui-se de novo que o vício é do Espírito.
O desenvolvimento da espiritualidade é fundamental para a recuperação do dependente, independentemente de crença religiosa. A vontade pode ser potencializada pela fé e pela oração.
“Concedei-nos, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos mudar, coragem para mudar aquelas que podemos e sabedoria para distinguir umas das outras.”
Oração da Serenidade
A terapêutica está na prática do Evangelho.
Duas coisas que eu acrescentaria aqui
A primeira, de segurança. Concordo inteiramente que a causa é psíquica e que a desintoxicação sozinha não resolve. Mas o caminho inverso também é verdade: reforma íntima sozinha não faz desintoxicação. Interromper álcool e certos medicamentos de uma hora para outra pode ser perigoso e exige acompanhamento. Os dois trabalhos correm juntos, e Kardec sempre colocou a ciência do corpo ao lado da assistência espiritual.
A segunda, de acolhimento. Repare em quem é o dependente dentro do filho pródigo: é o que foi para a terra distante, gastou tudo e acabou entre os porcos. E repare em quem a família e a comunidade costumam ser nessa história: o filho mais velho, com razão de sobra, cansaço acumulado e nenhuma vontade de entrar na festa quando o outro volta.
Julgar quem está no vício é o mais fácil do mundo e é exatamente o que impede o retorno. A casa espírita existe para ser a casa do pai, não a varanda do irmão mais velho.
O papel da casa espírita
As casas espíritas atuam como pronto-socorros espirituais e contribuem muito com os Espíritos superiores no trabalho de prevenção e auxílio à recuperação dos viciados, nos dois planos. Como?
- esclarecimento doutrinário;
- trabalhos de desobsessão, afastando obsessores e levando-os para tratamento no plano astral;
- passes e água fluidificada;
- evangelização e Evangelho no Lar;
- meditação, autoconhecimento e reforma íntima;
- oração, caridade e prática do Evangelho.
A Apometria: o que é e como funciona
Método de atendimento espiritual medianímico que visa a desobsessão e a revitalização dos assistidos, encarnados e desencarnados, permitindo intervenções além do espaço e do tempo. Foi sistematizado por José Lacerda de Azevedo, está fundamentado nos ensinamentos de Jesus e na Doutrina Espírita, e tem como regra de ouro o amor.
Em que difere do atendimento tradicional
O método dinamiza a participação dos servidores, que assumem papel ativo na revitalização, nos resgates e nos encaminhamentos, colaborando diretamente no plano astral. Ou seja: em vez de os médicos desencarnados virem até o consulente, o consulente desdobrado é levado aos médicos do astral para diagnóstico e terapêutica, junto com os médiuns também desdobrados, que auxiliam a equipe espiritual.
A dinâmica de um atendimento
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1
Preparação
Preparo dos médiuns e do ambiente, leitura de um texto evangélico e prece, instalação dos campos de proteção.
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2
Despersonalização e desdobramento
Os médiuns se desdobram, com deslocamento até os hospitais do astral.
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3
Entrevista e abertura da frequência
Abre-se a frequência ou o campo mental do consulente. A partir daí é possível rastrear, pela sintonia, possíveis desafetos, desativar bases, tratar e orientar os espíritos resgatados ou encaminhá-los às equipes médicas do astral.
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4
Fechamento
Fecha-se a frequência para cortar a sintonia, e faz-se higienização e revitalização, se necessário.
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5
Acoplamento e encerramento
Acoplamento, restauração dos caracteres da personalidade dos médiuns, e prece final.
A Apometria trabalha com 13 leis, entre elas a lei do desdobramento espiritual e a lei do acoplamento físico, e com mais de 36 técnicas que podem ser utilizadas conforme o caso, como a despolarização dos estímulos da memória.
O caso analisado
Paciente I. C. C., estudante, sexo masculino, 19 anos. Atendimento em julho de 1984.
História
Havia cerca de dois anos o paciente se habituara a tomar calmantes junto com um grupo de companheiros e fumava maconha. Algum tempo depois passou a usar cocaína quando conseguia dinheiro para comprá-la. Parou de estudar e passou a trabalhar para pagar a droga, experimentando outros entorpecentes. O grupo passou a ingerir cogumelos venenosos em pequenas doses com café preto. Deixou o emprego, ficou alheio ao ambiente e totalmente desinteressado dos problemas da família. Os familiares estavam desesperados.
Tratamento
Aberta a frequência do consulente, não foram encontrados iniciados, apenas obsessores que sugavam energias vitais do encarnado para usufruir dos efeitos das drogas, ou seja, desencarnados também viciados. Não eram desafetos. Foram afastados e tratados.
Aplicou-se a técnica de despolarização dos efeitos da memória e depois uma polarização positiva, o que foi suficiente para a recuperação do dependente.
Achei importante que a ressalva do próprio autor tenha sido mantida na apresentação. Ela evita a leitura mais perigosa que um caso bem-sucedido pode produzir, que é a expectativa de solução rápida.
Uma família desesperada lê um caso desses e vai embora achando que uma sessão resolve. Quando não resolve, some da casa espírita e some do tratamento. Publicar o caso junto com o alerta é o que torna o caso útil, e não o contrário.
Considerações finais
- Temos livre-arbítrio. “Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém. Tudo me é permitido, mas eu não deixarei que nada me domine” (1 Coríntios 6:12). O excesso e o abuso é que são perniciosos, com consequências no corpo físico e no perispírito, nesta e nas próximas encarnações.
- Mesmo com predisposição, o vício não é irresistível. O elemento vontade é fundamental para vencê-lo, com exceção dos casos de possessão, em que a vontade está paralisada.
- Os danos ultrapassam o corpo. A dependência é muitas vezes um suicídio indireto, e atinge o perispírito. Pela lei de causa e efeito, a próxima reencarnação pode trazer sequelas orgânicas e forte tendência ao vício.
- A influenciação por obsessores, via sintonia, é efeito maléfico do uso, e é o que torna ainda mais difícil largar.
- A terapêutica está na prática do Evangelho. A recuperação passa pela reforma íntima, porque a causa é psíquica e pode atravessar várias encarnações. A Lei Divina renova as oportunidades quantas vezes forem necessárias: é a misericórdia divina em ação.
- A Apometria amplia e diversifica o processo terapêutico, com participação ativa dos servidores no plano astral, beneficiando muitos desencarnados sofredores e encarnados de uma vez.
Se você está procurando ajuda
Este estudo trata da leitura espiritual. Se a necessidade for concreta e agora, estes caminhos existem e são gratuitos:
- CAPS AD, os Centros de Atenção Psicossocial para álcool e outras drogas, da rede pública. Atendem sem encaminhamento, e a unidade mais próxima pode ser localizada na secretaria municipal de saúde ou em qualquer UBS.
- CVV, telefone 188, gratuito, 24 horas, também por chat no site. Para quando a dor chega ao ponto de pensar em não continuar.
- Grupos de apoio, como Alcoólicos Anônimos, Narcóticos Anônimos e, para familiares, Amor Exigente e Al-Anon. A convivência com quem passou pelo mesmo é uma das forças mais documentadas de recuperação.
- A casa espírita, para o amparo espiritual, o passe, o Evangelho no Lar e o acolhimento fraterno, caminhando junto com o tratamento de saúde.
Referências
- KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, questões 474, 645 e 911.
- KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo.
- AZEVEDO, José Lacerda de. Espírito e Matéria: novos horizontes para a medicina, e Energia e Espírito, Porto Alegre.
- RODRIGUES, João Pedro Farias. Introdução aos fundamentos da Apometria. Porto Alegre, Pallotti, 2019.
- ANDRÉ LUIZ (Espírito), por Chico Xavier: Entre a Terra e o Céu (cap. 12), Ação e Reação (cap. 19), Missionários da Luz (cap. 4), Obreiros da Vida Eterna (cap. 19), Nos Domínios da Mediunidade (cap. 15), No Mundo Maior (cap. 14) e Desobsessão.
- ANGELIS, Joanna de (Espírito), por Divaldo Franco. Oferenda, cap. 32.
- LUIZ SÉRGIO (Espírito), por Irene Pacheco Machado. Consciência.
- FERREIRA, Marcos Alberto. Memórias de um Toxicômano. Mundo Maior, 3ª ed., 2014.
- 1 Coríntios 6:12 e Marcos 9:14-29.
- Princípios do Amor Exigente.
Trabalho de quinto ano de Mel, apresentado em 5 de junho de 2025 na Casa da Volta do Campo, IBACEMA, com orientação de F. R. C. e supervisão de Marco Antonio Dornelles Baldino. A análise é dela e está reproduzida com fidelidade. Os blocos azuis marcados como comentário são acréscimos meus e não devem ser atribuídos a ela. Conteúdo doutrinário e educativo, que não substitui tratamento médico, psicológico ou psiquiátrico.