De onde vem este material
O conteúdo e o raciocínio deste estudo são da palestra Reflexões sobre a parábola do filho pródigo, apresentada por Mel em 10 de julho de 2025, na Oficina dos Sentimentos.
Reproduzo a análise dela com fidelidade, porque ela está muito bem construída e não precisa de reforma. O que é meu vai marcado em caixas azuis identificadas como comentário, para que ninguém confunda o que é dela com o que eu acrescentei depois estudando o tema.
Por que Jesus ensinava por parábolas
A resposta que ele dá aos discípulos:
“Porque a vós é dado conhecer os mistérios do Reino dos Céus, mas a eles não lhes é isso dado. Pois ao que tem, dar-se-lhe-á e terá em abundância; mas ao que não tem, até aquilo que tem ser-lhe-á tirado. Por isso lhes falo por parábolas, porque vendo não veem; e ouvindo não ouvem, nem entendem.”
O que são parábolas
São ensinamentos por meio de simbolismos, em sentido figurado, que podem ser interpretados de várias maneiras. Perpetuam-se no tempo e permanecem sempre atuais, porque o sentido que se extrai delas muda conforme o grau evolutivo de quem lê.
Esse último ponto é o que explica por que se pode estudar a mesma parábola a vida inteira sem esgotá-la. Não é o texto que muda: é o leitor. A pessoa lê aos vinte anos e enxerga o filho mais novo. Lê aos cinquenta e começa a se reconhecer no mais velho. A parábola funciona como espelho, e espelho devolve quem está na frente dele.
O contexto: quem estava ouvindo
A parábola está no capítulo 15 de Lucas, e os dois primeiros versículos explicam tudo:
“Chegavam-se a ele todos os publicanos e pecadores para o ouvir. E os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo: Este recebe pecadores, e come com eles. E ele lhes propôs esta parábola.”
Lucas 15:1-3
Ou seja: a parábola é uma resposta à murmuração dos religiosos. Jesus não a conta para consolar pecadores, conta para responder a quem estava reclamando da companhia dele.
E ela vem em trilogia. Jesus começa com a ovelha perdida, depois conta a dracma perdida e por fim a do filho pródigo. As três falam dos perdidos.
“Os sãos não precisam de médico e sim os doentes; eu não vim chamar justos e sim pecadores.”
Marcos 2:17
Como os fariseus tratavam os perdidos? Eram excluídos. E hoje, como nós os tratamos? Este é o ensinamento a ser respondido: como devemos tratá-los?
A ovelha perdida e a dracma perdida
A ovelha
“Que homem dentre vós, tendo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove, e vai após a perdida até que venha a achá-la? E achando-a, a põe sobre os seus ombros, jubiloso; e, chegando a casa, convoca os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida. Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.”
Alguém está perdido, desviado das Leis Divinas, e se arrepende e é encontrado. Deve ser celebrado e acolhido.
A dracma
“Ou qual a mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma dracma, não acende a candeia, e varre a casa, e busca com diligência até a achar? E achando-a, convoca as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque já achei a dracma perdida. Assim vos digo que há alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende.”
Muitas vezes estamos perdidos dentro de casa, dentro de nós mesmos, distraídos com as redes sociais, com a matéria. Ao nos iluminarmos e nos limparmos, tirando toda a sujeira e varrendo a nossa casa interna, podemos nos achar, lembrar do que tem valor e acender a nossa centelha divina.
A trilogia tem uma progressão que vale enxergar
Reparando na sequência, três coisas crescem de uma parábola para a outra:
| Proporção do perdido | Como se perdeu | Quem procura | |
|---|---|---|---|
| Ovelha | 1 em 100 | por distração, andando | o pastor vai atrás |
| Dracma | 1 em 10 | sem culpa nenhuma, alguém a perdeu | a mulher varre a casa |
| Filho | 1 em 2 | por escolha própria | o pai espera |
O valor do perdido aumenta a cada história, de 1% para 10% e depois para 50%. E os modos de se perder são diferentes: dá para se perder por distração, dá para se perder sem ter feito nada, e dá para se perder por decisão.
Mas a diferença que mais me chamou atenção é a última coluna. O pastor vai atrás. A mulher varre a casa. O pai não vai buscar. Ele espera, e a espera é a coisa mais difícil da parábola inteira.
A Doutrina explica por quê: livre-arbítrio. Ovelha e moeda não escolhem. Filho escolhe. Deus não arrasta ninguém de volta, porque um retorno arrastado não seria retorno. É por isso que o Pai da terceira parábola parece mais passivo que o pastor e a dona de casa, e na verdade está fazendo a única coisa que respeita a liberdade do outro.
A parábola, no texto
11 Jesus continuou: “Um homem tinha dois filhos. 12 O mais novo disse ao seu pai: ‘Pai, quero a minha parte da herança’. Assim, ele repartiu sua propriedade entre eles. 13 Não muito tempo depois, o filho mais novo reuniu tudo o que tinha e foi para uma região distante; e lá desperdiçou os seus bens vivendo irresponsavelmente. 14 Depois de ter gasto tudo, houve uma grande fome em toda aquela região, e ele começou a passar necessidade. 15 Por isso foi empregar-se com um dos cidadãos daquela região, que o mandou para o seu campo a fim de cuidar de porcos. 16 Ele desejava encher o estômago com as vagens de alfarrobeira que os porcos comiam, mas ninguém lhe dava nada. 17 Caindo em si, ele disse: ‘Quantos empregados de meu pai têm comida de sobra, e eu aqui, morrendo de fome! 18 Eu me porei a caminho e voltarei para meu pai e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e contra ti. 19 Não sou mais digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus empregados.’ 20 A seguir, levantou-se e foi para seu pai. Estando ainda longe, seu pai o viu e, cheio de compaixão, correu para seu filho, e o abraçou e beijou. 21 O filho lhe disse: ‘Pai, pequei contra o céu e contra ti. Não sou mais digno de ser chamado teu filho’. 22 Mas o pai disse aos seus servos: ‘Depressa! Tragam a melhor roupa e vistam nele. Coloquem um anel em seu dedo e calçados em seus pés. 23 Tragam o novilho gordo e matem-no. Vamos fazer uma festa e alegrar-nos. 24 Pois este meu filho estava morto e voltou à vida; estava perdido e foi achado.’ E começaram a festejar o seu regresso.”
Quem é quem, e o pedido da herança
O pai, nesta parábola, representa Deus. Os dois filhos representam os homens, nós, os “pecadores” ou “perdidos” de todos os matizes.
A figura do filho mais novo: tinha personalidade ativa, mais determinada, queria experienciar a vida, enquanto o irmão se revela acomodado.
A herança. O pedido ao pai é chocante, porque na cultura judaica era como desejar a morte do pai: herança só se recebe depois do falecimento. Ele queria independência total.
Partir para uma terra longínqua significa manter-se distante do Pai, longe da orientação e da proteção paterna, desviado das Leis Divinas, vivendo pelas próprias regras, segundo os critérios estabelecidos pela vida material.
Pródigo: o que a palavra quer dizer
Esbanjou e gastou tudo. Foi pródigo com a herança. Do latim prodigus, significa “que despende com excesso, esbanjador, dissipador”.
O filho mais novo queria independência, mas não estava pronto para a herança. Não sabia administrar os recursos recebidos, não tinha maturidade, não tinha direcionamento, e daí adveio a falência. Não soube dar valor ao que herdou do pai: o planeta, o corpo físico, a encarnação.
A pressa
Ele antecipou a herança porque tinha pressa. A pressa é inimiga da perfeição. Deus é perfeito e nós somos perfectíveis, logo a pressa e a antecipação são adversárias nossas. Precisamos nos preparar com o Pai para seguir adiante. O importante é ter direcionamento.
Exemplos de antecipação, hoje:
- querer o corpo dos sonhos depressa, acelerando com anabolizantes e remédios milagrosos para emagrecer, e pagar um preço alto em vício, anorexia e outras doenças;
- querer ser rico antecipando o processo por meios ilícitos, e acabar preso, lesando muita gente no caminho;
- querer antecipar o prazer e viver da matéria em excesso, e sofrer com vícios, obesidade, drogadição, doenças, falência material e espiritual.
Os porcos
Cuidar de porcos seria humilhante para um judeu, porque porcos eram considerados impuros. A situação simboliza o vazio e a miséria que resultam de uma vida longe de Deus. Representa um criador de impurezas. Ele está no meio dos porcos, e se dá conta de que estava impuro, desviado de Deus, afastado do pai.
“Colocam um perfume nos porcos” é a melhor imagem da palestra inteira, e vale guardar. Ela descreve exatamente o que a maioria de nós faz com os próprios defeitos: não larga, mas aprende a tornar o problema apresentável. Chama arrogância de sinceridade, chama dureza de firmeza, chama mesquinhez de prudência.
O perfume é o que permite continuar no chiqueiro sem ter que admitir que se está nele. E enquanto o perfume funcionar, não há motivo para levantar e voltar.
O arrependimento
Depois de muito sofrer, depois da dor, ele cai em si e toma a decisão de retornar à casa paterna. A disposição para se reajustar perante a lei divina é o primeiro sinal de transformação moral que, em geral, atinge os que se transviaram ao longo da caminhada evolutiva.
A queda moral dele foi profunda. Subjugado à lei de causa e efeito, colheu o que semeou, guiando-se apenas pelo uso do próprio livre-arbítrio.
Levantou-se para a vida, ressurgiu para a vida, iniciou o caminho de volta ao Pai Criador. Reconhece os erros e não se considera digno de ser chamado filho: quer ser apenas um trabalhador, um “servo” do Pai, quer uma oportunidade de serviço e receber o alimento espiritual.
Voltar para a casa do pai é ouvir a sua palavra, dar atenção a ela e entregar-se aos desígnios divinos.
Duas coisas que o texto guarda nas entrelinhas
A primeira: “caindo em si”. No original a expressão é literalmente vindo a si mesmo, como quem acorda. Repare na ordem: ele volta a si antes de voltar para casa. O retorno começa por dentro e só depois vira estrada. Ninguém consegue voltar para o Pai sem antes voltar para si mesmo, e é por isso que a reforma íntima é sempre o primeiro passo, nunca o último.
A segunda: o discurso ensaiado que ele não conseguiu terminar. No versículo 19 ele planeja dizer três frases: pequei, não sou digno, trata-me como um dos teus empregados. No versículo 21, diante do pai, ele diz as duas primeiras e é interrompido. A terceira nunca sai da boca dele.
O pai não deixa o filho se rebaixar a empregado. Corta o pedido no meio e já manda trazer a roupa. O filho voltou disposto a ser menos, e o Pai não aceitou a proposta.
Emmanuel: quem são os filhos pródigos
Em Pão Nosso, psicografado por Chico Xavier, Emmanuel traz esclarecimentos sobre o filho pródigo:
“Examinando-se a figura do filho pródigo, toda gente idealiza um homem rico, dissipando possibilidades materiais nos festins do mundo. O quadro, todavia, deve ser ampliado, abrangendo as modalidades diferentes.
Os filhos pródigos não respiram somente onde se encontra o dinheiro em abundância. Acomodam-se em todos os campos da atividade humana, resvalando de posições diversas. Grandes cientistas da Terra são perdulários da inteligência, destilando venenos intelectuais, indignos das concessões de que foram aquinhoados. Artistas preciosos gastam, por vezes, inutilmente, a imaginação e a sensibilidade, através de aventuras mesquinhas, caindo, afinal, nos desvãos do relaxamento e do crime. Em toda parte vemos os dissipadores de bens, de saber, de tempo, de saúde, de oportunidades.
O mundo permanece repleto de filhos pródigos e, de hora a hora, milhares de vozes proferem aflitivas exclamações iguais a esta.”
Emmanuel, Pão Nosso, lição 157
Como o pai recebe
Três gestos, e cada um tem significado próprio:
Deus nos recebe de braços abertos.
E tem um quarto gesto, que está no verbo
No versículo 20 o texto diz que o pai, vendo o filho ainda longe, correu.
Parece detalhe e naquele contexto não era. Homem idoso e respeitável não corria em público, e para correr era preciso levantar a túnica, o que expunha as pernas e era considerado humilhante. O pai da parábola aceita passar por essa vergonha diante da aldeia inteira para chegar ao filho antes que o filho chegue à porta.
Ou seja: além de perdoar, o pai se expõe ao ridículo para poupar o filho da humilhação de entrar sozinho. É a única vez em que Jesus mostra Deus correndo, e ele corre em direção a quem tinha ido embora.
O filho mais velho
28 O filho mais velho encheu-se de ira e não quis entrar. Então seu pai saiu e insistiu com ele. 29 Mas ele respondeu ao seu pai: ‘Olha! todos esses anos tenho trabalhado como um escravo ao teu serviço e nunca desobedeci às tuas ordens. Mas tu nunca me deste nem um cabrito para eu festejar com os meus amigos. 30 Mas quando volta para casa esse teu filho, que esbanjou os teus bens com as prostitutas, matas o novilho gordo para ele!’ 31 Disse o pai: ‘Meu filho, você está sempre comigo, e tudo o que tenho é seu. 32 Mas nós tínhamos que celebrar a volta deste seu irmão e alegrar-nos, porque ele estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi achado.’
O retrato
De maneira geral, as pessoas apenas enxergam o filho que abandonou o lar paterno para viver do escândalo, tornando-se credor de todas as punições e julgamentos.
O mais velho ficou com raiva e sentiu-se injustiçado. Sente-se vítima, não se sente amado, não se percebe alvo da benevolência paterna, não se acha necessitado do perdão nem da acolhida do pai, porque é cheio de presunção por se achar perfeito, sem erros. Além disso, no seu vitimismo, mendiga gratificações e reivindica recompensas: “nunca me deste um cabrito para eu fazer festa com meus amigos”.
Vivia com o pai, mas não compartilhava da compaixão, do amor e do perdão dele. Estava na casa com o pai, mas não estava em comunhão com ele. Observava as regras, tinha aparência de filho que seguia Deus, não era foco de escândalos, mas dentro dele não havia amor nem caridade.
Essas pessoas, na sua severidade, não entendem o essencial das leis divinas. E esse comportamento é muito comum nos quadros da vida: diante do bem-estar e da alegria dos outros, muita gente se revolta, não consegue se alegrar nem participar da festa dos arrependidos.
Quem ele representa
O filho mais velho simboliza aqueles que, apesar de presentes fisicamente, estão emocional e espiritualmente distantes de Deus. Nem sempre quem permanece na casa do Pai, cumprindo deveres e obrigações, está efetivamente transformado no bem. Pode revelar-se mesquinho e egoísta, julgando-se único merecedor das atenções e cuidados do Pai.
Ele representa uma parcela muito significativa da humanidade: pessoas bastante focadas em viver sem escândalos, mas também sem generosidade. Esmeram-se em cumprir regras e em fazer o que parece correto, em termos pessoais ou sociais. E já que se consideram tão virtuosas, assumem-se como juízes implacáveis que não aceitam quem fracassa ou se afasta das regras.
Justificam-se nas próprias obras boas, sentem-se importantes e melhores que os outros pelo que fazem e produzem. Sentem-se heróis. Contudo, o seu viver não tem bondade e não tem gratidão.
Porque conseguem domar algumas paixões, criticam asperamente quem a elas sucumbe. Muitas chegam a desejar a dor e a desgraça para quem comete pequenos deslizes ou se permite viver de forma desregrada.
A conversão dele é mais difícil que a de qualquer outra espécie de pecadores. A presunção oblitera-lhe o entendimento e ofusca-lhe as ideias. Imaginando-se às portas do céu, dista ainda dele um abismo. Supõe-se um iluminado, e não passa de um cego, como ocorria com os fariseus.
A parábola não termina
Lucas nunca conta se o filho mais velho entrou na festa.
A história para no convite do pai, no versículo 32, e simplesmente acaba. Não há versículo seguinte dizendo que ele se convenceu, nem que foi embora. Fica em aberto.
Isso não é descuido do narrador. É a coisa mais bem construída da parábola inteira, porque Jesus estava contando aquilo para os fariseus que murmuravam, os quais estavam ali, naquele momento, ouvindo, do lado de fora da festa. Ao não escrever o final, ele devolveu a decisão para quem estava escutando.
E continua devolvendo. O final da parábola é escrito por quem a lê, toda vez que alguém decide se entra na festa de um arrependido ou se fica do lado de fora contando o que o outro fez.
As perguntas que ficam
Também nós nos sentimos perdidos muitas vezes, nesse misto de crueldade e carinho, de sombra e de luz. Também nós, muitas vezes, somos justos e injustos, ternos e agressivos, companheiros e censores. Também nós desejamos o Pai somente para nós, satisfazendo os nossos caprichos e vontades. E é assim que estamos hoje no caminho da fé.
Por essa razão, o benfeitor espiritual nos convida a analisar a nossa atitude em relação a Deus. Será que somos esse tipo de homem egoísta representado pelo filho que permaneceu ao lado do pai?
Emmanuel responde que sim. Não porque sejamos maus, mas porque diante do bem-estar e da alegria dos outros nos revoltamos e sofremos, sentimos ciúmes e inveja, e desejaríamos ser nós a usufruir dessas benesses, por nos acreditarmos mais merecedores que os outros.
O comportamento do filho mais velho foi adequado às Leis Divinas de amor, caridade, justiça, perdão e ação?
Criticamos os fariseus, que tratavam mal os publicanos e os pecadores. Mas como nós nos comportamos hoje? Como tratamos aqueles que erram e se arrependem? Queremos vingança, queremos que sofram? Ou acolhemos os nossos irmãos como Jesus ensinou, com misericórdia, amor e perdão?
Referências
- Lucas 15, a trilogia dos perdidos: a ovelha, a dracma e o filho pródigo.
- Marcos 2:17, os sãos não precisam de médico.
- XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Pão Nosso, lição 157. 17ª edição, FEB, Brasília, 1996.
- KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo.
- Federação Espírita do Rio Grande do Sul, A parábola do filho pródigo.
Palestra de Mel, apresentada em 10 de julho de 2025 na Oficina dos Sentimentos. A análise é dela e está reproduzida com fidelidade. Os blocos azuis marcados como comentário são acréscimos meus, feitos depois, e não devem ser atribuídos a ela.