Onde está descrito
A cena está em Nos Domínios da Mediunidade, capítulo 7, “Socorro espiritual”. André Luiz e Hilário acompanham Áulus, o instrutor que conduz boa parte dos ensinamentos do livro, num atendimento a um Espírito sofredor e irônico, desses que chegam com a defesa toda montada e não aceitam conversa.
É importante começar pelo contexto, porque o aparelho não aparece como curiosidade técnica. Ele entra no meio de um socorro, como recurso de trabalho, quando as palavras já mostraram que não iam bastar.
Primeiro: o que é ectoplasma
Não dá para falar do aparelho sem a matéria-prima dele.
- A palavra vem da pesquisa científica. Foi Charles Richet, fisiologista francês e Nobel de Medicina em 1913, quem a empregou nos estudos sobre os fenômenos de materialização. Nasceu fora do meio espírita e foi adotada por ele depois.
- Kardec usa outro vocabulário. Na Codificação fala-se em fluidos: o fluido cósmico universal, a matéria quintessenciada, a ação do Espírito sobre esses fluidos pelo pensamento e pela vontade. É a mesma família de realidade, com nome de outra época.
- A definição de Áulus é a que fecha o conceito: ectoplasma é matéria em estado de condensação intermediária, entre a matéria densa que a gente conhece e a matéria do perispírito (corpo astral).
Ele é cedido por gente encarnada, sai do organismo de quem tem essa faculdade, e é por isso que o aparelho descrito no capítulo só funciona com o concurso dos médiuns presentes. Sem eles, não há do que fazer a tela.
O aparelho
Em uma frase: é uma tela onde o pensamento aparece. Não como figura de linguagem, e sim como imagem que os presentes veem.
Para que serve, e por que funciona assim
O uso é regressão de memória aplicada ao socorro. O Espírito não é convencido por argumento: ele é levado a rever a própria história.
E a lógica disso é irretocável. Quando alguém está tomado por uma convicção, argumento não entra. Vale aqui também: ninguém muda de posição no meio de uma discussão em que se sente atacado. O que abre brecha não é a explicação, é a constatação. Ver.
Vale reparar também no que o aparelho não é. Não é leitor de mente para satisfazer curiosidade e não serve para expor ninguém. É ferramenta de socorro, aplicada por quem tem responsabilidade sobre aquele atendimento, com finalidade definida.
O princípio que sustenta o aparelho
Tirando a tela da frente, sobra um princípio que a Codificação estabelece e que explica por que o aparelho pode existir:
O pensamento age sobre os fluidos, e o que se pensa toma forma.
Kardec descreve os Espíritos agindo sobre a matéria fluídica pela vontade e pelo pensamento, e a literatura posterior chama isso de ideoplastia: a ideia moldando o fluido como a mão molda o barro. Se o pensamento já produz forma o tempo todo, um aparelho que condensa e torna visível essa forma é consequência técnica, não exceção.
Como citar isto direito
Uma observação de método, porque ela protege o conteúdo e não o enfraquece.
O condensador ectoplásmico não aparece nas obras de Kardec. Ele está descrito na obra de André Luiz, e o lugar exato é Nos Domínios da Mediunidade, capítulo 7. Então a citação forte é essa, com nome e capítulo. Dizer “André Luiz descreve, no capítulo 7” é preciso e dá para conferir. Dizer “a Doutrina ensina” é vago, e vago é o que faz uma informação boa perder força quando alguém pergunta de onde veio.
Fontes
- ANDRÉ LUIZ (pelo médium Francisco Cândido Xavier). Nos Domínios da Mediunidade, capítulo 7, Socorro espiritual: o atendimento ao Espírito sofredor, a tela de gaze condensadora de ectoplasma e a regressão de memória conduzida por Áulus.
- ANDRÉ LUIZ. Nos Domínios da Mediunidade, capítulos sobre efeitos físicos, e Mecanismos da Mediunidade, sobre os recursos empregados pelos Espíritos no atendimento.
- KARDEC, Allan. A Gênese, sobre o fluido cósmico universal e a ação do pensamento e da vontade sobre os fluidos.
- KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns, sobre os médiuns de efeitos físicos e o concurso de recursos fornecidos por encarnados.
- Charles Richet, fisiologista francês, Nobel de Medicina em 1913, responsável pelo termo ectoplasma na pesquisa dos fenômenos de materialização.
- Estudos relacionados aqui: Psicofonia é incorporação?, Psicofonia e pneumatofonia e Duplo etérico.
A numeração de capítulos pode variar entre edições. A edição consultada traz o episódio no capítulo 7.